sexta-feira, 20 de junho de 2008

Toalha nova não enxuga.


Valdemar era uma simples toalha de rosto.Seu único adorno eram alguns estampas de flores no seu fundo(ui!)azul.Relativamente novo com seus 2 anos de existência,a pouco mais de 2 meses que entrava na ativa.Permaneceu muito tempo guardado no guarda-roupas onde integrava um jogo de banho com 4 peças.Sentia saudades dos amigos.Lino e Carla, um casal de toalhas de banho que compunham o o jogo de banho e seu quase inseparável amigo Erasmo, a outra toalha de rosto que já tinha entrado em uso assim que o jogo foi comprado.Adalto um edredom antigo no guarda-roupas falou que a saída de Valdemar tinha haver com o fim da carreira de Erasmo.Ninguém deu muito credito a palavra daquele cara que só saia no inverno e passava o resto do ano guardado.Erasmo sentia saudades do seu antigo abrigo, pois além de amigos tinha sempre um sabonete para perfumar o ambiente.Na nova jornada era muito solitário, ficava o dia todo ali num toalheiro a meia altura ao lado do lavatório.As vezes dava pra ver uma ou outra toalha de banho passando enrolada em alguém, era muito rápido e não dava nem pra por a conversa em dia.E assim os dias foram passando para Valdemar,os dias, mãos, rostos e até um tosco que esqueceu a toalha de banho e se virou com a pequena talho de rosto(o0).Depois desse episodio, Valdemar ficou um tempo de molho num balde para desinfetar.Foi estendido num varal alto da área de serviço, percebeu que suas estampas estavam sem brilho, e começava a desfiar também.Os dias foram passando e nada de sair daquele varal.Até que um dia foi pego de surpresa e jogado no chão.Nem deve tempo de pensar, foi jogado num balde com água e desinfetante, pensou que ainda devia estar sujo depois da ultima aventura.Ledo engano, tirado do balde, torcido e enrolado num rodo.Meio tonto ainda, Valdemar foi vendo e "esfregando" toda a casa.Sala, quarto, cozinha, corredor, tudo sempre alternando mergulhos e torcidas naquela água já suja do balde.Perplexo, Valdemar não conseguia achar explicação para tudo que estava acontecendo.Ainda no esfrega-esfrega, passou de volta no banheiro, no lixeiro, a ponta de uma sacola com o nome das Americanas, olhou pra cima e viu duas grandes tolhas de banho pretas, novinhas, já saindo do banheiro viu de relance no toalheiro uma toalhinha preta de rosto.Não acreditava que tinha sido trocado.Tão cedo, era seu 3º mês fora do guarda roupas.Foi levado novamente para área de serviço.Uma pequena enxaguada no tanque e foi pendurado na mureta.Ainda sem acreditar no que tinha acontecido vagou o olhar ao seu redor e viu ao seu lado, ressecado, sujo e furado, seu antigo amigo Erasmo.Antes que pudesse dizer algo, Valdemar foi interrompido por Erasmo, que disse com um ar de ironia:
- Bem vindo a vida de pano de chão Valdemar!

2 comentários:

Cristal - a louca. disse...

Caramba@ Muito bom o texto, nunca pensei em como seria a vida das toalhas... mas nem preciso de preocupar, afinal as minhas só vão embora quando estão decrépitas!!! (ê pobreza kkk).

Beijundas ^^

Srta Pecinha de Lego disse...

Aii que texto bonitinho e tadinho do Valdemar!
Vc escreve muito bem, li os textos, gostei muito tbm do post em que vc travou!
Abraços